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2015-120-dia-do-pescador-olhao-00O Dia do Pescador, que no passado domingo se assinalou em Olhão, teve como momentos altos a homenagem aos pescadores e mariscadores do concelho e a inauguração da exposição “Na Faina, Dáquem… Além…”, patente no Museu Municipal de Olhão, onde a Docapesca também promoveu um inovador hambúrguer de cavala. Nas cerimónias, o presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina, teve a seu lado o secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu.

Na sessão solene de homenagem aos trabalhadores da pesca, o secretário de Estado do Mar fez questão de responder a algumas das questões levantadas pelo presidente da Câmara de Olhão, como foi o caso da “necessidade de os pescadores diversificarem a sua atividade, as licenças dos viveiros que caducam em breve e continuam a ser uma preocupação ou a desobstrução dos canais e abertura das barras”. António Miguel Pina referiu-se ainda à atuação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) que tem tido “uma atitude demasiado conservadora; muitas vezes a apanha dos bivalves tem estado parada devido a existência de toxinas, mas as análises são contraditórias”, reclamou António Pina.

Manuel Pinto de Abreu assumiu-se sempre como um defensor daqueles que “constituem a fileira do pescado, que têm participado ativamente, como aconteceu com sucesso com o 1º plano de gestão da sardinha e a manutenção da sua certificação, apesar de agora as notícias não serem as melhores”, lamentou, dizendo também que as organizações de produtores, e outras, “devem olhar para o interesse global da pesca e exercer a sua capacidade de decisão”. 

Se o membro do governo garantiu que será dado “um novo passo de gestão das áreas ribeirinhas e das respetivas infraestruturas”, disse que “o IPMA está a levantar a cabeça, mas tal como aconteceu com a Docapesca, leva tempo. Sem recursos não é possível levantar a cabeça mais rapidamente”, justificou.
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“Notei bem os alertas relativamente à pesca turismo, uma atividade que já está incluída no novo regulamento das embarcações marítimo-turísticas, faltam definir elementos fundamentais de como levar a cabo essa atividade. Já tem um enquadramento legal”, explicou o secretário de Estado do Mar que, quanto às licenças dos viveiros disse esperar que “no futuro essas concessões sejam de longo prazo, até 50 anos, como convém a toda esta atividade”.

“Quanto à questão das barras, não deixa de ser uma preocupação minha”, disse o governante. “No que toca à secretaria de Estado do Mar está resolvida a situação, mas eu não estou satisfeito porque a melhor solução não está ainda encontrada. Irei procurar que a situação possa ser invertida mais tarde”, prometeu Manuel Pinto de Abreu.

António Miguel Pina, que fez um discurso de defesa dos pescadores e dos seus direitos diz esperar agora que as melhorias necessárias passem “à prática no mais curto período de tempo”. O autarca destacou também a atividade dinamizadora do Grupo de Ação Costeira (GAC) do Sotavento, sedeado em Olhão, que tem gerido da melhor forma os fundos comunitários disponíveis para esta área. O montante total dos projetos que tiveram auxílio técnico do GAC através do PROMAR ascende aos 750 mil euros (2007-2013). Foram 36 projetos, 14 dos quais são em Olhão, o que permitiu a criação de 64 postos de trabalho.
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O presidente da Assembleia Municipal de Olhão, Daniel Santana, destacou que Olhão é um concelho modelo, exportando cerca de 80% dos bivalves a nível nacional. Referiu-se igualmente ao “excelente trabalho do GAC no apoio que tem dado aos pescadores”, incentivando os jovens a apostarem na pesca, para que esta tenha futuro em Olhão.

Durante a cerimónia realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, foram distinguidas as embarcações de arrasto “Mestre António Lobo” e “Praia de Montegordo”, do cerco “Selma” e “Divina Graça”, Polivalente Local “Vip” e “Aurora Paula”, Polivalente Costeira “Arlete Maria” e “Luz do Triunfo” e nas armações a Tunipex (maior valor de descarga na lota de Olhão em 2014). 

Na área da aquacultura/moluscicultura, Edgar Correia (ostras) e Manuel Augusto da Paz (amêijoa) foram os produtores aquícolas distinguidos e José Manuel Colucas o pescador com maior volume de vendas na arte de ganchorra de mão. Este ano, Júlia Maria Ramires foi homenageada na categoria Mulher na Pesca e na Aquacultura, Márcio Santos da Paz como o Pescador Mais Novo, o maquinista marítimo homenageado foi Rogério Armando da Silva, o Prémio Indústria Conserveira foi para Jéssica Alexandra Pires e o Prémio Mérito na Pesca foi para a Associação de Armadores de Pesca da Fuseta e para a embarcação “Alamar”, cuja tripulação salvou, a 28 de outubro de 2014, um dos pescadores que seguiam para a faina na embarcação Patrício, Dadive José. O outro tripulante, Jorge Serra, perdeu a vida depois de a embarcação se ter virado, na Barra do Lavajo, devido à forte agitação marítima.
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Outros momentos altos do Dia do Pescador, depois da emocionante sessão solene, foram a inauguração da exposição “Na Faina, Dáquem… Além…”, no Museu Municipal e uma demonstração de hambúrguer de cavala, confecionado por alunos do Curso Profissional de Cozinha/Pastelaria do Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, de S. Brás de Alportel. A proposta foi da Docapesca, que selecionou os cinco melhores cursos a cozinhar este petisco inovador, sendo a escola de S. Brás a escolhida no Algarve. A receita foi aprovada e apreciada por quem provou a iguaria no exterior do Museu, onde também estava patente parte da exposição, neste caso fotografias inéditas do acervo municipal. 

Numa das salas do Museu, são exibidas réplicas de embarcações utilizadas na faina em Olhão e um barco, em tamanho real, coberto com tecido e rendas a simbolizar o mar e as conservas, um trabalho da autoria de Joana Bandeira, que encantou os presentes e foi confecionado por utentes da ACASO.