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2015-221-poesia-a-sul-10-outubro-01-01João Lúcio, ilustre poeta olhanense, foi o mote para as “Conversas de Museu” do passado sábado, 10 de outubro, no Museu Municipal de Olhão. O poeta e advogado Fernando Cabrita, no âmbito do Encontro Poesia a Sul, que comissaria, falou da vida pouco conhecida de um poeta de mérito, esquecido por muitos no âmbito da literatura nacional.

“Foi um dos grandes poetas do início do século XX e, estranhamente, desaparecido da literatura”, disse Fernando Cabrita na sua abordagem inicial à vida e obra de João Lúcio, para quem o poeta “é cativante”. Nascido em Olhão em 1880 e falecido em 1918, foi relegado injustamente à categoria de poeta local, quando esteve ao nível dos grandes poetas da Renascença.

Filho de um abastado proprietário rural do concelho, diz Fernando Cabrita que o jovem neto do primeiro juiz de Olhão, também advogado com curso tirado em Coimbra, primava pela “elegância, porte e saber estar perante os outros. Andava sempre de luvas e nunca lhe faltava um ramo de flores na lapela do casaco”.

“Uma criança a revelar-se genialmente”, disse sobre ele Teixeira de Pascoaes, quando o jovem João Lúcio, acabado de chegar a Coimbra, lhe mostrou os seus poemas. Para além dele, o jovem olhanenses ficaria também amigo de figuras ilustres como Augusto de Castro, Alfredo Pimenta, Afonso Lopes Vieira ou Augusto Gil.

Em 1901 publicou o seu primeiro livro, Descendo, aclamado com louvor pela crítica da época e onde João Lúcio faz “uma peregrinação ao fundo das coisas”.
Fernando Cabrita destaca também a convicção monárquica do poeta olhanense dando-se, com a instauração da República, um afastamento de João Lúcio. Em 1902 regressou a Olhão, depois da sua incursão por Coimbra.
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Dois anos depois de Descendo, João Lúcio publicou O Meu Algarve e ainda Na Asa do Sonho (1913). Espalhando Fantasmas foi publicado postumamente, em 1921. O poeta e advogado morreu a 4 de outubro de 1918, com apenas 38 anos, vítima da pneumónica que assolou a região. Viveu pouco tempo, com a família, no chalé que havia construído nos Pinheiros de Marim e que ainda hoje é uma referência da arquitetura pela sua originalidade.

Quem acabou por divulgar muita da obra de João Lúcio, já após a sua morte, foi Francisco Fernandes Lopes, outro ilustre olhanense, que três anos depois do seu desaparecimento, promoveu uma palestra sobre o poeta, tendo sido um grande sucesso. 

“A partir de 1980 houve um ressurgimento de João Lúcio e republicam-se todos os seus poemas. Muitos e grandes escritores e poetas passaram a escrever sobre João Lúcio”, recorda Fernando Cabrita. Também em 1981 a Câmara Municipal de Olhão, a propósito das comemorações do I Centenário do Nascimento do Poeta João Lúcio, lançou a Obra Poética de João Lúcio.
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