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2015-223-poesia-a-sul-10-outubro-02-nuno-judice-01Olhão recebeu, no passado sábado, um dos nomes maiores da poesia portuguesa: o algarvio Nuno Júdice. Antes da revolução de 1974, Júdice apresentava-se ao público com uma poesia que roçava os limites da prosa, “diferente daquilo a que estávamos habituados” e assim ajudou a mudar mentalidades.

O ensaísta, poeta e professor universitário Nuno Júdice marcou presença no Encontro Poesia a Sul Olhão’15, destacando-se pela sua humildade perante a grandiosa obra que já tem publicada. Diz nunca ter sentido a grande influência que teve em muitos dos seus contemporâneos com a primeira obra A Noção de Poema, mas tinha a noção de que “era como se fôssemos marcianos, não percebiam o que escrevíamos mas aceitavam, porque percebiam que algo estava a mudar”, testemunhou o autor em Olhão.

Referiu que quando começou a publicar, a linguagem que utilizava “ia buscar muito à poesia inglesa e americana, a poetas que também levavam a poesia até ao limite da linha. “Tinha como base não a métrica mas a respiração, o que por vezes fazia com que se confundisse com a prosa”, recorda Nuno Júdice, revelando: “Foi no fim dos anos 60 que encontrei esta linguagem poética”.
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Nuno Júdice recorda que escrevia “para lá do País cinzento e da ditadura”. Inspirava-se numa “Europa cultural, cuja capital era Paris”. A Noção de Poema, publicado em 1972, nos Cadernos de Poesia da D. Quixote, foi uma pedrada no charco, mas o autor diz que não se apercebeu sequer da importância desta coleção, onde aparecia ao lado de nomes como Pablo Neruda, e da própria divulgação que teve fora de Portugal. “Este livro reunia poemas que vinham desde 1969, organizado de uma forma que representava a influência da teoria da literatura; a poesia como objeto de pensamento”.

O poeta algarvio de dimensão internacional, que também recebe grande influência do mundo do Cinema e da Pintura, tendo publicadas várias peças de teatro, ensaios e ficção, revela que o seu Algarve tem muita importância naquilo que escreve: “a natureza, o mar, estão muito presentes, o que faz com que a minha poesia seja mais solar do que noturna. Vem da minha experiência algarvia”.

Nuno Júdice acabaria por servir de “líder de uma nova forma de fazer poesia”. Tendo começado a escrever poesia aos oito anos, diz que este “foi um caminho natural, que nunca interroguei. E nunca parei”. Para bem de muitos dos seus leitores e admiradores.
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