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2015-229-poesia-a-sul-final-01Encerrou com chave de ouro a primeira edição do Encontro Poesia a Sul Olhão’15: o último dia do evento, no sábado, 17 de outubro, foi protagonizado por Manuel Alegre, tendo-se assinalado o 50.º aniversário da sua primeira obra editada, A Praça da Canção, durante uma sessão realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Antes disso, na sexta feira à noite, dia 16, os Mercados Municipais foram o palco escolhido para a leitura de poemas pelos autores espanhóis José Luis Piquero, Eva Vaz, Rafael Vargas e Mario Rodrigues, entre outros. Tendo como cenário os belos azulejos de Costa Pinheiro, recentemente falecido e que foi homenageado nesta noite de cultura através da leitura de um poema escrito por Fernando Cabrita quando teve conhecimento da sua morte, o sentimento de muitos dos poetas esteve bem presente neste serão, sobretudo através da declamação de um poema, por Rafael Vargas, sobre a sua mãe, que perdeu muito cedo. A leitura de outro poema, da autoria do próprio Costa Pinheiro e que se encontra num dos azulejos do Mercado do Peixe, sobre o Mar, foi outro momento de homenagem ao pintor desaparecido há uma semana e que tinha uma profunda ligação a Olhão.

No sábado, Carlos Brito foi a personalidade convidada para falar acerca d’ A Praça da Canção. O também escritor e histórico do Partido Comunista Português disse tratar-se porventura “do livro de poesia mais lido em Portugal, e aquele com mais edições”. A obra de Manuel Alegre, que contém dos poemas mais emblemáticos da luta contra a ditadura, muitos deles cantados, entre outros, por Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e Luís Cília, na opinião de Carlos Brito, “reinventou a luta e transmitiu uma mensagem que foi direto ao coração das pessoas, trazendo para a poesia a guerra colonial, sem ser um livro panfletário; trata-se, em suma, de uma poesia de combate, da poesia de um combatente”, acrescentou o também amigo pessoal de Manuel Alegre.
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Acerca desta sua obra, Manuel Alegre reconheceu que o facto de músicos como Adriano Correia de Oliveira terem musicado muitos dos poemas ajudou à sua repercussão. Canções como Trova do Vento que Passa tiveram uma influência importante no movimento baladista das canções de intervenção do movimento revolucionário de contestação ao Estado Novo. No Salão Nobre da Câmara Municipal de Olhão, o poeta e histórico do Partido Socialista referiu que “vida e escrita são inseparáveis e ninguém escapa à sua circunstância histórica”, para sublinhar que a sua obra é produto da época em que viveu e vive, bem como de toda a história de Portugal. “Hoje, como sempre, poesia é liberdade!”, concluiu Alegre no encerramento da sessão comemorativa dos 50 anos da sua obra A Praça da Canção.
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O último dia do Poesia a Sul prosseguiu com o debate A Poesia e a Cidadania, com Manuel Alegre, Carlos Brito, o poeta olhanense Fernando Cabrita e os escritores espanhóis Manuel Madeira e Rafael Vargas; a moderação esteve a cargo de João Minhoto Marques, da Universidade do Algarve.

Dando o exemplo da obra de Manuel Alegre, Fernando Cabrita referiu que “quando a cidadania é ameaçada, é preciso lutar, e quase sempre na primeira linha dessa luta está a poesia, que tem sido sempre uma forma de reivindicar os direitos dos povos quando eles estão ameaçados”.

Para Manuel Alegre, “o poeta tem, muitas vezes, o dom de acordar o povo: mesmo que uma obra não tenha uma preocupação política ou de intervenção, acaba muitas vezes por ter repercussão nesses domínios, ao acordar consciências”.

“O poeta é sempre a voz da liberdade” – foi assim que Carlos Brito sumarizou a sua opinião acerca do tema do debate, acrescentando que, hoje em dia, continuam a haver “grandes cidadãos e grandes poetas”.

Manuel Alegre concluiu o debate enfatizando que os problemas que existem na sociedade não se resolvem por decreto, mas sim com iniciativas concretas da sociedade civil como o Encontro Poesia a Sul.

O encerramento da primeira edição deste que se pretende o maior encontro de poesia a sul do País esteve a cargo do presidente da autarquia olhanense. António Miguel Pina considerou que o evento terminou de uma forma “brilhante e até emotiva”, acrescentando que, na sua opinião, eventos como Poesia a Sul são um bom exemplo de poesia a cidadania. O autarca agradeceu ao comissário do evento, o poeta olhanense Fernando Cabrita, o sucesso da iniciativa, e concluiu que “Olhão aguarda as futuras edições do Encontro”.

Desde dia 1 de outubro, a primeira edição do Poesia a Sul Olhão’15 trouxe a vários espaços da cidade dezenas de poetas portugueses e espanhois. Poesia, música, exposições, teatro, debates, apresentações, leituras e recitais marcaram a agenda do evento.

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