289 700 100
 
geral@cm-olhao.pt
 
O Livro do Desassossego, uma das obras maiores de Fernando Pessoa, esteve em destaque na programação deste domingo, o terceiro dia do II Encontro Internacional Poesia a Sul – Olhão 2016, que arrancou na passada sexta feira.

2016-252-poesia-a-sul-01

Teresa Rita Lopes, considerada a maior pessoana da atualidade apresentou, na Galeria Sul, Sol e Sal, perante um auditório constituído por poetas, escritores, professores e público em geral, a sua visão acerca da importante e controversa obra daquele que é considerado por muitos o mais universal poeta português.

O Livro do Desassossego é um livro fragmentário, sempre em estudo por parte dos críticos pessoanos, havendo interpretações díspares sobre o modo de o organizar. Teresa Rita Lopes veio ao Poesia a Sul transmitir a sua visão sobre a obra de Pessoa mais vendida no estrangeiro, facto atestado por Chi Trung. O maior poeta vietnamita da atualidade, que é também um dos convidados do evento organizado pela Câmara Municipal de Olhão, confessa que aprendeu Português precisamente para ler este livro.

2016-252-poesia-a-sul-06

Sobre a vida e a obra de Fernando Pessoa muito ficou ainda por dizer, como frisou Teresa Rita Lopes, antecipando que este é um estudo que lhe “vai sobreviver”, uma vez que o espólio inédito de um dos escritores mais férteis da língua portuguesa ascende aos cerca de 27 mil documentos.

O terceiro dia do II Encontro Internacional Poesia a Sul reservou ainda uma performance pela companhia farense te-Atrito, que interpretou perante um público deleitado poemas e lendas, com o humor como denominador comum.

Este foi também o dia em que Pedro Jubilot e Raquel Zarazaga apresentaram livros de sua autoria, numa programação que contemplou ainda várias sessões de leitura de poemas de autores diversos.

No dia inaugural, cuja sessão solene decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho com a presença do Presidente da Autarquia, António Miguel Pina, o poeta Fernando Cabrita, que também comissaria o Poesia a Sul, apresentou a obra Oito Livros de Oito Poetas, onde o autor reúne 8 críticas sobre 8 livros de 8 poetas.

Na ocasião, o edil caracterizou a iniciativa da Autarquia como “um evento atrativo e eclético”, sublinhando a diversidade de autores, espaços e eventos de programação paralela contemplados neste segunda edição do Encontro. O autarca ilustrou a importância do evento para Olhão, ao transmitir que este foi contemplado com um financiamento por parte do Programa Algarve 365, “destinado a eventos culturais de interesse turístico”.

No Auditório Municipal foram inauguradas duas exposições, de desenho e escultura, da autoria de Joana Rosa Bragança e Alberto Germán, respetivamente. As mostras ficam patentes até ao final do Encontro.

De resto, o Auditório Municipal foi também palco de um dos mais aguardados espetáculos da programação paralela do evento: a performance de spoken word “12 Canções Faladas e 1 Poema Desesperado”, protagonizada pelo poeta e declamador Napoleão Mira, em conjunto com os Reflect, deliciou o público presente, com as receitas a reverterem a favor da ADAPO – Associação de Defesa dos Animais e Plantas de Olhão.

A encerrar o dia inaugural do Poesia a Sul, o Cantaloupe Café, nos Mercados Municipais, foi o cenário escolhido para uma leitura de poemas por Adão Contreiras, Pedro Tavares, Mario Rodriguez, Eladio Orta, Raquel Zarazaga, Adília César, Marco Mangas e João Miguel Pereira, acompanhada pela música do poeta, escritor e músico Fernando Pessanha.

Já no sábado, a programação reservou uma palestra, proferida por Fernando Cabrita, subordinada ao tema “The Waste Land, de T.S. Elliot – O Grande Poema do Séc. XX”. A iniciativa aconteceu no Museu Municipal Edifício do Compromisso Marítimo. 

No mesmo espaço, decorreu outra palestra, desta vez por Augusto Thassio de Los Infantes. O poeta, historiador, conferencista e pintor espanhol falou sobre “A Vida e Morte de Miguel Hernandez”, poeta e dramaturgo falecido em 1942 aos 31 anos mas, ainda assim, um dos nomes maiores da literatura hispânica do século XX.

A programação de sábado foi diversificada, e incluiu ainda um debate, subordinado ao tema “A Poesia e o Ensino”. Frente a frente estiveram os professores Anabela Batista, Nélia Estevão, Paulo Penisga e Pedro Oliveira Tavares. Na ocasião, foram tornados públicos os resultados de um questionário feito aos alunos do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico da Escola João da Rosa. Das respostas dos alunos, pode inferir-se que a maioria gosta de poesia, já tendo mesmo tentado escrever.

Quanto às dificuldades encontradas pelos docentes no ensino da poesia, a mais apontada pelos intervenientes foi a falta de tempo que sobra para lá dos programas, o que não permite aos professores “aventurarem-se” por autores mais contemporâneos, ficando, muitas vezes, o ensino da poesia nas escolas restringido aos poetas chamados “canónicos”.

Ainda assim, foram mencionados exemplos de sucesso no que diz respeito a contornar estas dificuldades, com clubes de leitura ou grupos de teatro escolar que dramatizam poemas de autores contemporâneos. Ainda assim, os professores “reclamam” horários mais alargados dedicados integralmente à poesia e à literatura em geral.

Nesta terça feira, dia 25 de outubro, no II Encontro Internacional Poesia a Sul – Olhão 2016 o dia será dominado pela apresentação dos livros de Adília César, Marcos Mangas, Jose Luis Rua Nacher e Eladio Orta, a acontecerem na Galeria Sul, Sol e Sal, a partir das 18h00.

Na quarta feira, sexto dia do Poesia a Sul, a programação paralela é dominada pela exibição do filme Howl, de Allen Ginsberg, a decorrer na Sociedade Recreativa Progresso Olhanense, a partir das 21h30, e pelo espetáculo de poesia e música protagonizado por João Pereira e Eduardo Patarata, marcado para as 22h00, no Cantaloupe Café. O dia reserva ainda a apresentação de livros de João Pereira, Pedro Tavares, Said Tigraoui, Eva Vaz, Chi Trung e Luís Ene, todas a acontecerem a partir das 18h00, na Galeria Sul, Sol e Sal.

Na quinta feira, 27 de outubro, acontecerá um dos pontos altos do II Encontro Internacional Poesia a Sul. A Sociedade Recreativa Progresso Olhanense recebe, a partir das 18h00, um tributo a Casimiro de Brito. A vida e obra do poeta, romancista e ensaísta louletano, fundador do jornal A Voz de Loulé, com 56 livros publicados, traduzidos em 26 idiomas, serão homenageadas numa sessão que conta com a presença, para além do próprio, da poetisa, crítica literária e ensaísta Maria João Cantinho.

De seguida, às 19h30, ainda na Sociedade Recreativa Progresso Olhanense, lugar para a apresentação do livro O Diário do Farol – A Ilha, a Cadela e Eu, de Ana Cristina Leonardo, com lugar para um espaço de conversa com a autora e com a editora Beatriz Hierro Lopes.

O dia encerra com uma recitação pelos poetas Casimiro de Brito, Chi Trung, Vittoria È Natto, Maria João Cantinho, Maria Dolores Guadarrama e Cláudio Guimarães dos Santos, a decorrer no Cantaloupe Café, a partir das 22h30.

Até dia 30 de outubro, a poesia, a literatura em geral e a cultura “andarão à solta” por vários espaços da cidade de Olhão.

2016-252-poesia-a-sul-022016-252-poesia-a-sul-032016-252-poesia-a-sul-042016-252-poesia-a-sul-05