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O concelho de Olhão foi o anfitrião, nos dias 16 e 17 de novembro, do 3º Encontro Regional do Voluntariado Ambiental para a Água (ERVAA). Os trabalhos começaram na sexta-feira na Escola Secundária de Olhão e terminaram no sábado com várias saídas de campo, tendo sempre como horizonte o tema Água e a sua racionalização.

O vereador do Ambiente do Município de Olhão, António Camacho, que abriu os trabalhos neste dia dedicado à água, referiu a importância deste bem essencial à vida, destacando a componente da educação ambiental, à qual o Município de Olhão tem dado cada vez mais importância, nomeadamente através da Casa João Lúcio, “um espaço aberto à comunidade e onde se junta de forma eficaz a sensibilização ambiental e a educação para esta temática”.
Este foi um dos primeiros eventos realizados na nova escola secundária de Olhão, depois de importantes obras de remodelação. “A escola é nova e está ao serviço da população”, reforçou o diretor da escola, Idalécio Nicolau.

João Alves, diretor do departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Sul do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e Sebastião Teixeira, diretor do departamento de Recursos Hídricos do Litoral da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) – ARH Algarve, também marcaram presença na sessão de abertura, referindo aspetos relacionados com a Lei da Água, a importância das espécies nos meios aquáticos que existem na região, como o saramugo na Bacia do Guadiana e, como fez questão de lembrar João Alves, até o lince ibérico beneficiou com a água, já que foi através de um programa de compensação relativamente à construção da Barragem de Odelouca que nasceu o espaço onde agora se reproduz esta espécie, em Silves.
Importante tem sido também a ligação entre a juventude, o voluntariado ambiental e a água, com cada vez mais alunos de escolas algarvias empenhados nesta causa, como fez questão de frisar Sebastião Teixeira.
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João Carlos Farinha, do ICNF, foi um dos oradores que referiu a extrema importância da água no nosso planeta, recordando que “apenas 0,4% da água existente está disponível”, referiu o especialista, acrescentando a grande necessidade de proteção e gestão racional das zonas húmidas. A Ria Formosa foi um dos primeiros 12 sítios classificados na rede RAMSAR, o que mostra bem a sua importância ambiental.

Neste encontro sobre voluntariado para a água, Maria Helena Alves e Maria Teresa Álvares, da APA – ARH do Tejo, falaram da conservação e gestão de ecossistemas ribeirinhos no âmbito da Diretiva Quadro da Água, referindo as necessárias intervenções para que as linhas de água estejam desimpedidas, por exemplo. Já Francisco Keil do Amaral, do ICNF – Algarve referiu as boas práticas em relação à gestão da floresta e conservação da natureza. “Os sistemas florestais são importantes abrigos para a fauna ou alimentação de espécies de flora”, referiu o engenheiro florestal, lembrando que a águia de bonelli e o lince ibérico são exemplos de fauna associados a espaços florestais do Algarve. Também na comunidade de peixes, a vegetação é de extrema importância, tanto relativamente à energia térmica, como a sombra ou estabilização das margens. “Se não houver uma boa gestão da bacia hidrográfica corre-se o risco de não se ter boa água em quantidade e qualidade”, alertou Francisco Keil do Amaral.
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O painel que foi moderado por Paulo Cruz, da APA – ARH Algarve, contou ainda com as intervenções de Marisa Viriato da Águas do Algarve, que falou do programa ambiental da Barragem de Odelouca e de Helena Guimarães da Liga para a Proteção da Natureza, que dissertou sobre a perspetiva das ONGAs. À tarde, referiu-se o papel do voluntariado na conservação da natureza e biodiversidade com comunicações sobre a reintrodução da águia pesqueira em Portugal, o voluntariado no Parque Natural do Vale do Guadiana, o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa e a Rede Transfronteiriça de Voluntariado Ambiental. No último painel, os oradores debruçaram-se mais especificamente sobre o Voluntariado Ambiental para a Água – Perspetivas Atuais e Futuras e as auditorias da campanha de monitorização voluntária das ribeiras do Algarve.
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No segundo dia do ERVAA, sábado, as saídas de campo permitiram fazer monitorização voluntária na Ria Formosa – Quinta de Marim e na Ribeira de Odeleite e contaram com cerca de três dezenas de participantes. Na formação “Aprender Fazendo” (teórico-prática) sobre a monitorização de bioindicadores de diferentes ecossistemas, ministrada por especialistas do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve, privilegiou-se a formação  em macroinvertebrados bentónicos nas duas saídas de campo e no trabalho de laboratório efetuado na Casa João Lúcio/Ecoteca de Olhão. Houve também oportunidade de aprender e realizar trabalho voluntário no RIAS –Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, em plena Ria Formosa.