No segundo dia da Feira dedicada ao Ambiente e aos Parques Naturais, realizou-se no Auditório Municipal de Olhão o seminário internacional «Água e Turismo», que contou com a presença do Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia, na sessão de encerramento, na qual também marcaram presença o Presidente do Município de Olhão, Francisco Leal, e os responsáveis do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
O Ministro do Ambiente, que elogiou a forma como o presidente da Câmara de Olhão tem “encarado o Parque Natural da Ria Formosa”, referiu que esta Feira é “um dos grandes eventos em Portugal onde se reúne um conjunto de iniciativas e de valores ligados aos parques naturais e ao ambiente”. Nunes Correia aproveitou também para defender que “a preservação da natureza não é algo antagónico com o desenvolvimento económico”.
Num seminário onde o tema principal foi «Água e Turismo», Nunes Correia recordou que “o desenvolvimento económico do Algarve assenta em grande medida no turismo, e esse sector carece de água suficiente para abastecer uma população com grande variação sazonal e, por outro lado, garantir o funcionamento de infra-estruturas que necessitam de água para o seu bom funcionamento”.
Tal como o edil de Olhão já havia feito, também o Ministro do Ambiente destacou a importância da construção da barragem de Odelouca, que “veio trazer ao Algarve fiabilidade no abastecimento, essencial para a construção de uma economia que gera bem-estar, riqueza, postos de trabalho (…). Estaremos perante uma relação incompatível? Creio que não”, disse Nunes Correia, anunciando que a barragem de Odelouca começará a armazenar água no Outono.
Nunes Correia e Francisco Leal referiram-se igualmente ao Polis da Ria Formosa, um investimento de 87,5 milhões de euros “de grande significado para Olhão e não só. Há já várias acções em curso, adjudicadas ou em vias de adjudicação. Uma forma de demonstrar que “cada vez mais, ambiente e economia estabelecem uma relação assente na cooperação”, fez questão de realçar o Ministro do Ambiente.
Opinião partilhada pelo autarca olhanense, Francisco Leal, que destacou o facto de os Parques Naturais serem “um factor de valorização e não de desconsideração”. Numa feira que se internacionalizou com a presença de vários convidados espanhóis, o objectivo é agora trazer o Brasil para a edição de 2010 e, quem sabe, outros países. “Quando sabemos que a água é um recurso limitado, que obriga cada vez mais a uma gestão racional, e estando o Algarve numa zona semi-árida, naturalmente que a nossa preocupação com a água tem que ser muito grande e, hoje, o Algarve tem melhores condições a esse nível, sendo o ministro do Ambiente um dos responsáveis por essas melhorias”, frisou o Presidente da Câmara Municipal de Olhão. Francisco Leal referiu que a barragem de Odelouca resolve um problema grave, o que não inviabiliza que se continue a poupar água. “Temos neste momento em Olhão um projecto de reutilização da água das piscinas, que é utilizada, por exemplo, para rega de jardins. Tem havido esta preocupação”, testemunhou o edil, para quem a própria intervenção do programa Polis é muito importante em relação à água, à Ria e à sua requalificação.
E se responsáveis políticos defenderam a poupança ou o uso racional da água, o discurso dos vários intervenientes no seminário foi no mesmo sentido, dando muitos deles exemplos práticos sobre a melhor forma de ajudar o ambiente. António Teixeira, do ICNB, destacou que “o mar constitui uma fonte tradicional de recursos, que nem sempre têm sido utilizados da forma mais adequada (…). As áreas marinhas protegidas foram criadas para defender um património que é de todos e permitir ao mesmo tempo a sua utilização sustentada”. Neste seminário foi também apresentado o projecto Biomares, liderado pelo Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve. Alexandra Cunha referiu que este projecto decorre até 2011 e tem como objectivo a recuperação da biodiversidade e a implementação de acções de gestão ambiental na área do Parque Marinho Luís Saldanha, na Arrábida.
Verónica Nolte falou da campanha desenvolvida junto do sector turístico de Valência, Espanha, com vista à poupança de água, o que se traduziu em bons resultados e numa maior consciência da população para o problema. Fernando Molina Vázquez apresentou os espaços protegidos da Andaluzia, assim como a importância do ecoturismo em Espanha e sobretudo na Andaluzia, que tem crescido nos últimos anos.
Maurício Vieira deslocou-se da Ilha da Madeira a Olhão para mostrar aos participantes no seminário como o hotel onde trabalha, Jardim Atlântico, tem desenvolvido várias iniciativas pioneiras com o objectivo de poupar e reaproveitar água. Apresentou, por exemplo, uma estação de tratamento de águas residuais biológicas, da qual é reaproveitado o efluente tratado para regar todos os jardins do hotel. Paco López trouxe ao Algarve o exemplo de um campo de golfe natural situado em Quijorna, perto de Madrid, que pretende ser uma alternativa aos campos tradicionais. Aqui, depende da época do ano o campo estar mais ou menos verde. Entre outras medidas, propõe-se a redução da superfície de rega, de modo a diminuir também o consumo final de água.
Piscinas biológicas de uso turístico foi o tema apresentado por Cláudia Schwarzer, que explicou que nestes lagos de banho artificiais o tratamento das águas é feito exclusivamente por processos biológicos e mecânicos, não é usado qualquer aditivo químico, sendo a água inofensiva para a saúde humana e para o meio-ambiente. Luís Rodrigues, assessor da ETUR e consultor da TUV, referiu-se às experiências Eco em hotéis e empreendimentos, apresentando as boas práticas a aplicar nestes espaços com vista à redução de custos e vantagens competitivas, economizando energia, água ou gerindo os resíduos.
Miguel Tiago de Oliveira, do Oceanário de Lisboa, mostrou porque é impossível continuarmos a ter os comportamentos consumistas que temos tido até aqui: “Se todo o Mundo consumisse como nós, precisávamos de três planetas…”, exemplificou o especialista, para quem é também importante ter em conta que os fundos oceânicos já não albergam a riqueza de outrora, tal como as florestas. “O nosso papel é alterar comportamentos”, defendeu o biólogo num seminário onde essa mensagem ficou bem patente. Só assim será possível ajudar o ambiente.