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Logo do Regenera OlhãoMais de uma centena de pessoas participou, dia 6 de Março, no I Seminário de Regeneração Urbana, que se realizou nos Mercados Municipais de Olhão. A iniciativa do Município foi acolhida por muitos interessados em conhecer quais as transformações de que a Zona Histórica e a Frente Ribeirinha de Olhão serão alvo, onde se pretende  um desenvolvimento harmonioso preservando as suas características diferenciadoras.

Um dos grandes desafios que se colocam à regeneração urbana, no caso de Olhão, é o facto de, sendo um território com a forte identidade de uma comunidade muito ligada às atividades da Ria Formosa, é procurar no processo de renovação da cidade, manter essa mesma identidade; não se deve descaracterizar nem cair na tentação de tornar o centro histórico, apenas um local destinado ao turismo. Regeneração urbana não é só requalificar os edifícios, devendo integrar igualmente uma forte componente económica, social e cultural, como defendeu o vice-presidente do Município de Olhão, António Pina.

Seguir um plano harmonioso, coerente e que não descaracterize a zona histórica de Olhão foi uma das principais conclusões retiradas da participação dos vários oradores: arquitetos José Aguiar, Pedro Ravara, António Figueiredo, Andreia Santos e Ditza Reis (moderadora do seminário). Realizado num local simbólico da história olhanense, o mercado do peixe de Olhão transformou-se por uma tarde num auditório onde se falaram das soluções para o futuro da sua zona envolvente.

Olhão está a desenvolver o seu projeto de regeneração urbana com o apoio de fundos comunitários, que foram explicados por Filomena Coelho, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve. Neste concelho, realçou aquela responsável, o facto de o centro histórico se desenvolver junto à zona ribeirinha, com uma forte capacidade de atração de pessoas, é um fator de sucesso para este projeto.

Neste âmbito, e antes de serem conhecidos os trabalhos que estão a ser desenvolvidos para a zona histórica da cidade cubista, José Aguiar, da Universidade Técnica de Lisboa, falou dos novos desafios que se colocam à arquitetura, da necessidade de ‘re-arquiteturar’, dando alguns bons exemplos de cidades do Mundo que não perderam as suas características ao restituir a cidade à esfera pública através da requalificação e também o que tem  sido feito nalguns concelhos portugueses, dando Guimarães como exemplo de uma cidade de referência.

Pedro Ravara, do Baixa Atelier, que está a desenvolver o plano de pormenor da zona histórica de Olhão referiu, entre outros temas, o que está a ser feito ao nível da evolução da malha urbana, da volumetria dos quarteirões ou do edificado devoluto em ruínas, apontando como pontos fortes da zona a dinâmica comercial tradicional, as açoteias da cidade cubista, a consciencialização da importância do espaço público e a proximidade à frente ribeirinha.

Por seu lado, António Figueiredo, da Espaço e Desenvolvimento, mostrou em que consiste o Caminho das Lendas, que integra a área de intervenção da zona histórica. As lendas de Olhão vão animar o percurso do centro histórico. Haverá maiores acessibilidades, criação de espaços de sombra, supressão de estacionamento nalguns locais e colocação de mobiliário urbano adequado ao novo uso, assim como mais acessos pedonais, que têm fortes impactos a nível social e vivencial, económico, ambiental e de segurança.

O Programa de Dinamização dos Mercados Municipais é outro dos aspetos a ter em conta nesta nova forma de viver e sentir Olhão. A arquiteta paisagista Andreia Santos, técnica do Município, também referiu a preocupação com a acessibilidade a todos os utentes do espaço. A elevação do acesso viário que circunda os mercados à cota da zona pedonal, de modo a eliminar obstáculos, é um dos objetivos e a intervenção nos espaços exteriores aos mercados incidirá sobre a redefinição de pavimentos e na organização e requalificação do equipamento urbano. Os locais de estacionamento também serão regulados e a componente ambiental reforçada.

Com todas as mudanças previstas, agora dadas a conhecer ao público em geral, o Município de Olhão pretende conjugar as alterações com as características do património existente nesta zona de forma harmoniosa.

Apresentações do Seminário: